9 de novembro de 2016

Histórico do Parque Tecnológico

O projeto do Parque Tecnológico de Vitória existe há pelo menos três décadas. Foi idealizado nos anos 1990, em sintonia com movimentos que se articulavam nos meios universitários e empresariais em vários pontos do país.
Na década de 1990, a economia da capital capixaba atravessava uma fase de relativa prosperidade. As operações de comércio exterior realizadas pelo Porto de Vitória eram impulsionadas por um robusto arranjo fiscal, cujo principal suporte era o Fundo de Desenvolvimento das Atividades Portuárias (Fundap). Além disso, o Município – e o Estado como um todo – beneficiavam-se do aglomerado industrial localizado ao norte da cidade, onde foram implantadas a Companhia Vale do Rio Doce e a então denominada Companhia Siderúrgica de Tubarão.

As circunstâncias favoráveis não iludiam, porém, certas lideranças empresariais e universitárias, que advogavam a necessidade de buscar alternativas ao modelo industrial tradicional. Já naquele tempo, Vitória não dispunha de espaço físico para abrigar novas indústrias ou empreendimentos agrícolas de porte. Por outro lado, se observava uma forte vulnerabilidade da economia local baseada na dependência das commodities e da logística exportadora.

No final de década de 90 e início de 2000, podia-se notar que o setor de TIC ganhava destaque na matriz econômica cuja origem era atribuída ao surgimento de spin-offs de grandes empresas com profissionais qualificados e com um maior grau de escolaridade.

Assim, a ideia de uma nova matriz econômica, baseada em tecnologias intensivas em conhecimento, impunha-se como alternativa realista para o desenvolvimento sustentável da cidade. Em linha com esse diagnóstico, o Plano Diretor Urbano municipal de 1994 reservou uma área de 34 hectares, próxima ao aeroporto e à Universidade Federal do Espírito Santo, para a chamada Zona do Parque Tecnológico (ZPT) de Vitória.

A Companhia de Desenvolvimento de Vitória (CDV) iniciou em 2002 uma série de ações direcionadas à viabilização do parque tecnológico. Desde então, várias iniciativas foram balizadas por aquelas diretrizes, conforme segue abaixo.

Em 2002, houve a inclusão de atividades e metas para implantação do Parque Tecnológico no Planejamento Estratégico 2002-2004 da CDV, que culminou na realização do Estudo “Diretrizes Preliminares para Implantação do Parque Tecnológico de Vitória”. O resultado do estudo motivou as lideranças e mobilizou os agentes em torno da proposta de implantação. Foi então assinada a Carta de Vitória, que estabeleceu diretrizes para a implantação do Parque Tecnológico.

Em 2008, foi contratada consultoria especializada para a realização do Estudo de Viabilidade do Parque Tecnológico Metropolitano de Vitória. O estudo da Fundação Certi sustentou a viabilidade do parque e sugeriu estratégias de implantação, um modelo de governança e fez ainda uma projeção de impactos sócio-econômicos.

Desse ponto em diante, foram realizados o levantamento fundiário com identificação das propriedades fundiárias; a cessão de área da União para o Município e, finalmente, a inclusão do parque no Programa Nacional de Apoio às Incubadoras de Empresas e aos Parques Tecnológicos (PNI) do Governo Federal, via Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT).

Em 2010, foi assinado o Convênio Nº 01.0096.00/2010 entre o MCT e a Prefeitura Municipal de Vitória, com valor aproximado de R$ 9,44 milhões, destinado à implantação do Centro de Inovação (CI), considerado o ‘marco zero’ do Parque Tecnológico de Vitória.

Momento atual
No momento presente observa-se um decidido empenho do setor empresarial em viabilizar a criação do parque tecnológico. A demanda é mais forte por parte do empresariado jovem, mais sintonizado com a realidade internacional. É notória, porém, a adesão de setores empresariais mais conservadores. Leonardo Castro, recém-eleito presidente da Federação das Indústrias do Espírito Santo (FINDES) assumiu, em princípios de agosto, com um discurso arejado, que realça a prioridade da inovação e sublinha as vantagens de aliar a atividade empresarial ao conhecimento acadêmico.

Estão juntos na iniciativa representantes expressivos do setor acadêmicos, entre eles a Universidade Federal do Espírito Santo, o Instituto Federal do Espírito Santo e a Faculdade Multivix – que está situada na Zona do Parque Tecnológico – que, juntos, expressam continuada adesão às ações do Parque Tecnológico.

Está dada a base, portanto, para um modelo de governança compartilhado entre o empresariado, o mundo universitário e o setor público local. Nesse modelo, a participação do poder público será a de indutor, com a operacionalização do empreendimento ficando por conta do setor empresarial, que utilizará mão de obra universitária para desenvolver as respostas aos problemas que enfrenta num mercado cada vez mais competitivo e globalizado. Assim, o parque tecnológico será eminentemente sustentável, em fina sintonia com as prioridades regionais e com as tendências internacionais, e com firme implantação nas demandas do setor produtivo local, na oferta de mão de obra qualificada e nas necessidades de trabalho e renda da comunidade local.